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Sabado, 17 de Janeiro de 2026
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Psicanalista Fabiana Guntovitch desmistifica tabus em torno do exame de próstata

Especialista em Comportamento, ela incentiva um novo olhar sobre a vulnerabilidade masculina

Psicanalista Fabiana Guntovitch desmistifica tabus em torno do exame de próstata
O universo masculino é profundamente marcado por uma cultura que tende à negação da vulnerabilidade.
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Homens têm mais chances de morrerem prematuramente em praticamente todos os países do mundo e um dos motivos é a tendência a negligenciar intervenções preventivas e a buscarem ajuda no início dos sintomas, adiando a ida ao especialista para quando os problemas já estão instalados, por vezes, de maneira irreversível.  Existem muitos estudos que apontam a necessidade de se refletir sobre a masculinidade para compreensão dos comprometimentos dos homens com sua saúde física e mental.

Um exemplo é a importância da campanha Novembro Azul, que tem um papel essencial para promover a conscientização dos homens em relação à saúde, em especial aos cuidados preventivos do câncer de próstata, além de incentivar a população masculina a superar possíveis tabus que cercam essa temática.

Especialista em Comportamento, a psicanalista Fabiana Guntovitch destaca a resistência histórica e cultural que muitos homens apresentam em relação aos exames preventivos, especialmente ao de câncer de próstata. “A indicação de fazer o exame de próstata, pode fazer com que o masculino entre em contato com sua vulnerabilidade, a forma como ele se percebe e como ele é percebido. São questões subjetivas e que emergem diante de um risco importante que, talvez, dependendo de como ele signifique sua virilidade, a masculinidade deste homem seja revisitada. Essa resistência não é apenas sobre o ato de realizar o exame, mas sobre um complexo conjunto de fatores emocionais e sociais como potência, etarismo, homofobia, vulnerabilidade, entre outros que atravessam o conceito de masculinidade”, explica a especialista.

De acordo com a psicanalista, o universo masculino é profundamente marcado por uma cultura que tende à negação da vulnerabilidade, seja ela física ou psicoemocional, fortalecendo estereótipos de força absoluta e autossuficiência. “Ignorar os medos e as angústias é o que a cultura patriarcal ensina aos meninos desde sempre. Não é à toa, que quando mais velhos, eles apresentem resistências em olhar para a possibilidade de um problema em uma área do corpo tão significativa, se colocando em risco desnecessariamente”, afirma ela.

O exame de próstata, especialmente o toque retal, é muitas vezes encarado como uma violação da integridade física e emocional dos homens, o que gera barreiras psicológicas que dificultam o diagnóstico precoce. A percepção de que a saúde está intimamente ligada à masculinidade ainda impede que muitos homens busquem ajuda, mesmo sabendo dos riscos de um diagnóstico tardio, já que a doença costuma ser silenciosa em suas fases iniciais. “Os estudos sugerem que trabalhar essas barreiras culturais e psicológicas, oferecendo um olhar mais acolhedor e compreensivo sobre a saúde masculina, pode ser uma ferramenta eficaz para reduzir a resistência aos exames preventivos”, diz Fabiana, que faz referência ao livro The Mask of Masculinity”, de Lewis Howes, que analisa como a sociedade condiciona os homens a esconder suas vulnerabilidades e a negar qualquer sinal de fragilidade.

Para Fabiana, a campanha Novembro Azul tem um papel fundamental em desconstruir esses estereótipos e promover uma nova visão sobre a saúde masculina. “Desconstruir a ideia de que a força está na negação e substituí-la pela noção de que reconhecer as próprias vulnerabilidades é um ato de verdadeira coragem pode ser transformador”, diz ela, que incentiva uma mudança de perspectiva. “Cuidar da saúde, incluindo a próstata, deve ser visto como um gesto de amor próprio e uma responsabilidade para com a própria vida e o bem-estar dos que estão ao redor. Esse é um caminho para que homens possam envelhecer de forma mais saudável e plena, sem carregar o peso de um silêncio que, muitas vezes, pode custar a própria vida”, pontua ela.

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