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Quinta-feira, 04 de Junho de 2026
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Pedalar faz bem ao coração, mas atenção aos riscos: cinco lesões comuns e como preveni-las

No Dia Mundial da Bicicleta (03/06), especialistas destacam os benefícios da prática para o coração e orientam sobre como pedalar com segurança

Pedalar faz bem ao coração, mas atenção aos riscos: cinco lesões comuns e como preveni-las
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No Dia Mundial da Bicicleta, celebrado nesta quarta-feira (03), o incentivo à prática do ciclismo ganha ainda mais força. Além de ser uma atividade acessível e prazerosa, pedalar é uma das formas mais eficazes de cuidar da saúde do coração. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), praticar regularmente atividades físicas, como o ciclismo, pode reduzir em até 30% o risco de doenças cardiovasculares e contribui para a saúde mental e a prevenção de doenças crônicas. Mas, é fundamental adotar alguns cuidados e evitar erros comuns que podem levar a lesões.

De acordo com Thomas Conforti, cardiologista intervencionista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), o ciclismo é um importante aliado da saúde cardiovascular. “Pedalar é uma excelente atividade aeróbica e contribui de forma significativa para a saúde do coração. Ajuda a melhorar o condicionamento físico, controlar a pressão arterial, o colesterol e a glicose, além de reduzir o risco de doenças cardiovasculares ao longo do tempo”, explica o especialista, que reforça que a regularidade faz toda a diferença. “O mais importante é transformar a atividade em hábito, e não em um esforço eventual”, afirma.

Para quem está começando, a recomendação é simples: começar devagar. “O ideal é iniciar com sessões de 20 a 30 minutos, de duas a três vezes por semana, em intensidade leve a moderada. Com o tempo, o organismo se adapta e é possível evoluir com segurança”, orienta Conforti. A meta é atingir cerca de 150 minutos semanais de atividade aeróbica.

Apesar dos benefícios, pedalar exige atenção, especialmente para evitar dores e lesões, comuns entre iniciantes. Segundo Hallan Bertelli, ortopedista e traumatologista do Vera Cruz Hospital, muitos desses problemas estão relacionados a erros de postura e ao ajuste inadequado da bicicleta. “Pequenos desalinhamentos, repetidos várias vezes durante o pedal, acabam gerando sobrecarga nas articulações e nos músculos”, explica o médico, que destaca os cinco problemas mais comuns entre ciclistas e como preveni-los:

  • Dor no joelho: é a queixa mais frequente e costuma estar relacionada à altura inadequada do banco e ao desalinhamento dos pés. Para evitar, é fundamental ajustar corretamente o banco, manter uma cadência (ritmo das pedaladas) adequada e evitar sobrecarga nos treinos;
  • Dor lombar e no quadril: geralmente surge por postura inadequada e falta de fortalecimento da musculatura do tronco. A prevenção envolve exercícios para o core e ajuste correto da bicicleta ao corpo;
  • Dor no pescoço (cervical): causada pela tensão ao manter o olhar à frente com o tronco inclinado. Ajustar o guidão, relaxar os ombros e evitar postura rígida ajudam a reduzir o problema;
  • Dormência nas mãos e pulsos: ocorre pelo excesso de peso apoiado nos braços e compressão de nervos. Para evitar, é importante distribuir melhor o peso corporal, manter os cotovelos levemente flexionados e usar luvas adequadas;
  • Dormência ou queimação nos pés: conhecida como “síndrome dos pés quentes”, está ligada ao uso de calçados inadequados ou posicionamento incorreto no pedal. O ideal é utilizar tênis ou sapatilhas apropriadas e ajustar corretamente o apoio dos pés.

O chamado bike fit, ajuste personalizado da bicicleta, é um dos principais aliados na prevenção. “Como o ciclismo é um esporte de repetição, qualquer erro de ajuste é potencializado ao longo do treino”, destaca Bertelli. A postura também é essencial. “O ideal é manter a coluna neutra, abdômen levemente contraído, ombros relaxados e cotovelos flexionados, o que reduz a sobrecarga no pescoço e na lombar”, orienta o especialista.

Além das questões ortopédicas, o coração também pode dar sinais de alerta. “Dor no peito, falta de ar desproporcional, tontura, palpitações ou desmaio exigem atenção imediata. Nesses casos, é fundamental interromper a atividade e buscar avaliação médica”, reforça Conforti.

Mesmo pessoas com hipertensão, colesterol alto ou histórico familiar de doenças cardíacas podem se beneficiar da prática. “O ciclismo pode ser um grande aliado, desde que iniciado com cautela e progressão gradual”, afirma.

A recomendação final dos especialistas é clara: pedalar faz muito bem para o coração e para o corpo, desde que com orientação, atenção aos sinais do organismo e respeito aos próprios limites.

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