Entre partidas e chegadas, saudade e descobertas, dores e encontros, gratidão e despedida, “arigatô... sayonara”, atravessa oceanos e o tempo para contar, por meio do gesto, a trajetória dos imigrantes japoneses no Brasil. Inspirado na linhagem familiar da diretora artística do grupo Erika Novachi, cujos avós deixaram o Japão ainda jovens para recomeçar suas vidas em terras brasileiras, a obra mergulha nas emoções dessa travessia e será apresentada em Indaiatuba, no dia 5 de julho, sábado, no CIAEI, às 20h. A entrada é gratuita.
Com coreografias de Erika Novachi, Jhean Allex, Lenon Vitorino e Mary Santos a obra une a força da dança contemporânea, do jazz dance e do lyrical jazz, para transformar e registrar memórias em movimento. Uma dança que revela resistência e pertencimento e é uma celebração da força, da tradição e da transformação, revelando que as histórias de nossos antepassados ainda dançam e vivem em nós.
“Sou sansei, neta de japoneses que chegaram ao Brasil com sonhos na bagagem e raízes profundas no coração. Nasci em solo brasileiro, mas cresci imersa na cultura oriental.
Aqui, sempre fui chamada de “japonesa”. Mas quando estive no Japão, ouvi pela primeira vez: “dekassegui”. Estrangeira e durante muito tempo vivi esse entrelugar: não completamente daqui, nem de lá. Era como se eu não pertencesse a nenhum dos mundos e foi entre memórias familiares, tradições e minha própria história, que fui encontrando meu lugar. Eu não era completamente brasileira. Tampouco era
completamente japonesa. Mas era profundamente as duas coisas. Eu carrego, no corpo e na alma, um legado precioso – feito de gestos contidos, de silêncio que fala, de resistência disfarçada de doçura”, rememora a coreógrafa.
Em 2025, celebra-se os 120 anos do tratado de amizade Brasil-Japão, que marcou o início da imigração japonesa para o Brasil. O tratado foi assinado em 1895, e em 1908 chegou ao Brasil o navio Kasato Maru com os primeiros imigrantes japoneses. Essa imigração, que teve seu ápice entre 1908 e 1960, resultou na formação da maior comunidade japonesa fora do Japão, com cerca de dois milhões de descendentes no Brasil, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Japão.

CIRCULAÇÃO
Depois de Indaiatuba o trabalho ainda deve passar por Barueri (13 de julho), Ribeirão Preto (17 de agosto), Cerquilho (24 de agosto), Jacareí (30 agosto), Salto (19 de setembro), Marília (20 de setembro), Garça (21 de setembro) e Votorantim (1 de novembro). Todos com entrada gratuita.
ACESSIBILIDADE
arigatô... sayonara também se destaca por sua acessibilidade comunicacional, oferecendo recursos como audiodescrição e janela de Libras, para garantir que todas as pessoas possam ter acesso a apresentação. Segundo a diretora, a inclusão sempre foi um valor fundamental no nosso trabalho. “Queremos que todos possam se conectar com a mensagem do espetáculo, independentemente de suas condições sensoriais. A
dança é uma linguagem universal, e por meio desses recursos, podemos garantir que ela realmente seja acessível a todos. Isso é parte essencial da nossa missão artística”, fala Erika.
SAIBA MAIS SOBRE A OBRA
“arigatô... sayonara” é dividido em cinco partes. A primeira versa sobre o Japão Tradicional, a segunda parte traz as despedidas e travessia do mar, a terceira parte traz a tristeza e Insegurança, a quarta parte versa sobre as mãos que se estendem e a quinta e última parte entre dois sóis.
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