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Terça-feira, 20 de Outubro 2026
Gabriel
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Fratura após queda simples pode ser sinal de osteoporose

Ortopedista do Vera Cruz Hospital, em Campinas, orienta investigação da saúde óssea para reduzir o risco de novos episódios  

Fratura após queda simples pode ser sinal de osteoporose
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Uma fratura provocada por uma queda da própria altura, durante uma caminhada ou outra atividade cotidiana, pode indicar fragilidade óssea. Por isso, o cuidado deve incluir a investigação da causa, além do tratamento da lesão. A osteoporose enfraquece os ossos e pode evoluir sem sintomas até que ocorra a primeira fratura. O alerta marca o Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, neste 20 de outubro. Segundo a International Osteoporosis Foundation (IOF), em um panorama mundial, até 80% dos pacientes que sofrem uma fratura permanecem sem diagnóstico e tratamento da osteoporose subjacente. O dado evidencia uma oportunidade de cuidado que muitas vezes é perdida: investigar a saúde dos ossos após uma fratura e adotar medidas para reduzir o risco de novos episódios.

Ainda de acordo com a IOF, o histórico de fratura está associado a um risco 86% maior de sofrer outra fratura em comparação com pessoas sem esse antecedente. A entidade também aponta que o risco de recorrência é especialmente elevado nos dois primeiros anos após o episódio inicial.

“A investigação deve fazer parte do cuidado com a fratura, sem esperar a recuperação do osso. Quando identificamos osteoporose ou outra condição que compromete a resistência óssea, podemos estabelecer um tratamento para reduzir o risco de novas fraturas. A consolidação da lesão não encerra esse acompanhamento”, explica José Luis Amim Zabeu, coordenador da Ortopedia do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP).

Como investigar a saúde dos ossos

A avaliação considera o histórico de saúde do paciente, a ocorrência de fraturas anteriores, o uso de medicamentos e outros fatores de risco. Um dos principais exames é a densitometria óssea, que mede a densidade mineral dos ossos e auxilia no diagnóstico da osteoporose. Ela pode ser indicada após uma fratura por baixo impacto ou antes de qualquer lesão, conforme a idade, os fatores de risco e a avaliação médica.

Radiografias da coluna também podem ajudar a identificar fraturas nas vértebras que nem sempre provocam sintomas evidentes. Exames laboratoriais, como os que avaliam os níveis de cálcio, vitamina D e outros indicadores do metabolismo ósseo, contribuem para investigar condições associadas e orientar o tratamento.

“A escolha dos exames depende da história clínica e das necessidades de cada paciente. Em mulheres após a menopausa, por exemplo, a indicação da densitometria considera também a idade e a presença de fatores de risco. O objetivo é identificar a fragilidade óssea, compreender suas possíveis causas e definir a melhor conduta”, orienta Zabeu.

Embora seja mais comum com o avanço da idade e em mulheres após a menopausa, a osteoporose também pode afetar homens e pessoas mais jovens. Segundo a IOF, no mundo, cerca de uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima dos 50 anos sofrerão uma fratura relacionada à osteoporose ao longo da vida restante. Outros fatores de risco incluem histórico familiar de osteoporose ou fraturas, uso prolongado de corticoides, tabagismo e alterações na absorção de nutrientes, como as que podem ocorrer após a cirurgia bariátrica. Alguns tratamentos, como a quimioterapia, também podem comprometer a saúde óssea, dependendo do contexto clínico.

Como a doença costuma evoluir sem sinais claros, mudanças como a redução da estatura e o aumento progressivo da curvatura da coluna merecem avaliação médica, pois podem estar relacionadas a alterações ou fraturas nas vértebras. “Pessoas com fatores de risco podem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de avaliar a saúde óssea, mesmo que nunca tenham sofrido uma fratura. Para quem já passou por um episódio, não se deve esperar que outro aconteça para investigar”, pontua o ortopedista.

Prevenção e tratamento

A prevenção começa antes do aparecimento da doença. Alimentação equilibrada, ingestão adequada de cálcio e outros nutrientes, prática regular de exercícios físicos e não fumar são medidas que contribuem para a saúde óssea. Atividades voltadas ao fortalecimento muscular e ao equilíbrio também ajudam a reduzir o risco de quedas.

Para quem já tem osteoporose ou sofreu uma fratura por baixo impacto, o plano de cuidado deve ser individualizado. Além dos hábitos saudáveis, o médico pode indicar medicamentos específicos para fortalecer os ossos e reduzir o risco de novas fraturas. A terapia hormonal pode ser considerada em situações selecionadas, após avaliação dos benefícios e riscos para cada paciente.

“Exercícios, alimentação adequada e prevenção de quedas fazem parte do cuidado, mas não substituem os tratamentos específicos quando eles são necessários. O acompanhamento permite avaliar a resposta ao tratamento e ajustar as orientações às condições de cada pessoa”, conclui Zabeu.

 

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